Ubud, o coração de Bali

Ah, Ubud! As veias de Bali convergem neste ponto, o centro espiritual e cultural da ilha. Nenhuma viagem à ilha dos deuses termina sem uma visita aos magníficos campos de arroz e aos templos ancestrais, sem absorver o trânsito caótico e a vida de resort com piscina infinita. Para além disso, é um ótimo ponto estratégico para explorar a região norte da ilha.

Tegalalang

As plantações de arroz são parte integrante da identidade cultural da ilha. Para além de alimentarem a população e servirem como motor de exportação, fazem as delícias dos turistas e dos instagrammers que peregrinam de todo o mundo, rumo a Ubud.

Terraços do Alas Harum Agro Tourism.

Uma forma única de experienciar estas paisagens idílicas é, sem dúvida, através dos baloiços que se parecem multiplicar em cada miradouro. No Alas Harum Agro Tourism temos os tais míticos baloiços, em vários formatos, mas temos muito mais! Podemos aprender imenso sobre a flora da ilha, desde a canela à citronela, existem imensas plantas sobre as quais extrair conhecimento.

Grãos de café em excrementos de Luwak.

Porém, o café, é a verdadeira estrela deste espaço. Aqui podemos ver como é produzido o café Luwak, um dos mais caros e procurados do mundo. A sua peculiaridade deriva precisamente do facto de ser o próprio Luwak, ou civeta, a escolher as melhores bagas de café, que come sem mastigar, sendo estas fermentadas e digeridas no estômago do animal até restar apenas o grão, que é excretado nas fezes. Os grãos fermentados são colhidos das fezes do Luwak, fervidos para retirar as impurezas e posteriormente torrados e moídos artesanalmente. Todo este processo intensifica o café, atribuindo-lhe um sabor intenso e adocicado. Uma verdadeira iguaria!

Degustação de chás e cafés.

Para além do café Luwak, esta fazenda também oferece degustação de vários chás e outros cafés locais. No final, podemos inclusivamente comprar as nossas bebidas favoritas com a garantia de serem genuínas e produzidas localmente. Existem muitos outros espaços onde podemos comprar estes produtos de forma mais económica, contudo, poderão não ser genuínos.

Para quem ficou curioso em andar de baloiço, neste local, o preço varia entre as 160000 e as 200000 rúpias indonésias por 15 empurrões (10€ e 13€, respetivamente), consoante o seu nível de intensidade. E por muito cliché que seja, vale a pena! Para além das fotos bonitas, dá-nos uma sensação incrível de liberdade.

Templo de Tirta Empul

Independentemente da religião que praticamos, os balineses estão dispostos a receberem-nos de braços abertos nos seus costumes e rituais religiosos, e por isso estar-lhes-ei eternamente grato pois proporcionaram-me experiências de viagem transcendentes. De ti, só exigem que participes de mente e espírito abertos.

A nascente sagrada.

Para os hindus, a água é um elemento sagrado e purificador e por essa mesma razão, o templo de Tirta Empul é um dos mais importantes de Bali. A criação do complexo remete-nos ao aparecimento do deus Indra para matar um rei que impedia a população de o venerar. No assassinato, foi formada a nascente de Tirta Empul. É possível ver o buraco de onde brota a água sagrada que alimenta as 30 fontes do templo.

Fontes de purificação.

Cada fonte possui um significado diferente, havendo algumas que, por respeito, devem ser evitadas, pois apenas devem ser utilizadas em situações específicas, como em casos de perda de algum familiar. Devemos banharmo-nos em, pelo menos, 13 das fontes do templo para completar o ritual de purificação. Os locais encarregam-se de explicar o que podemos ou não fazer, mas em nenhum momento devemos entrar no tanque sagrado sem utilizar o sarong verde que vemos na imagem, que tem que ser alugado no próprio templo, onde existem balneários específicos para a muda de roupa. Nunca poderei traduzir em palavras o que senti ao participar neste ritual, mas é um momento de agradecimento, pedidos e introspecção pessoal que cada um deve interpretar à sua maneira. O meu maior desafio foi conseguir abstrair-me das majestosas carpas que acompanhavam os nossos banhos.

A entrada no templo, o aluguer do sarong de purificação e do cacifo ficou por cerca de 115000 rúpias indonésias (7,30€).

Templo de Gunung Kawi

O templo de Gunung Kawi fica localizado num cenário maravilhoso, entre um riacho formidável protegido por árvores de raízes milenares, lianas e campos de arroz. Os imponentes altares deste templo estão esculpidos na própria rocha e são, na verdade, túmulos funerários da antiga dinastia balinesa.

Percurso até aos altares esculpidos na rocha.

Para lá chegar é necessário descer vários lanços de escadaria, o problema é voltar a subir quando a visita estiver concluída, no entanto, acaba por não ser tão doloroso se aproveitarmos para fazer compras nas inúmeras tendinhas de artesanato. Aqui podemos ver o artesanato local em estado puro, com vários locais ainda no processo de esculpir os produtos.

A entrada no recinto tem um custo de 50000 rupias indonésias (cerca de 3,20€).

Mercado de Ubud

Já que falamos em compras, o mercado de Ubud, localizado em frente ao palácio, no centro da cidade, é onde é possível encontrar os souvenirs mais baratos, contudo, é preciso ter em atenção que a qualidade artesanal dos produtos será compatível com o preço.

O trânsito caótico em frente ao Palácio de Ubud.

Mesmo assim, é necessário muito regateio para conseguirmos alcançar o preço que desejámos e há quem diga que o preço inicial é 3x superior àquele que é o justo. Regatear é algo muito intrínseco na cultura balinesa, sendo que os comerciantes acreditam que a sua própria sorte deriva do preço a que vendem os artigos.

Floresta dos Macacos

Os macacos em Bali são considerados sagrados e encontram-se espalhados um pouco por toda a ilha, porém, existe uma floresta que é dedicada especialmente a eles. Para lá chegar basta caminhar para sul a partir do Palácio de Ubud, na rua com o mesmo nome. Essa exata rua contém várias lojas boutique, vintage e de conceito e não faltam bons restaurantes para almoçar ou jantar.

Um macaco a guardar a sua cria.

A floresta é, na verdade, uma espécie de “jardim zoológico” exclusivamente de macacos, com muitas esculturas ancestrais e árvores sagradas decoradas com sarongs. É um bom local para fugir da loucura do centro de Ubud e ser transportado para onde a natureza, e os macacos, reinam. A entrada tem um custo de 80000 rupias indonésias (cerca de 5€).

Deixo o aviso que é preciso muito cuidado na abordagem aos animais, uma vez que estes tendem a ser agressivos quando se sentem ameaçados, podendo inclusivamente roubarem alguns pertences desprotegidos, como óculos-de-sol ou telemóveis.

Templo de Saraswati

Saraswati é a deusa hindu da sabedoria, artes e aprendizagem e o seu templo é um dos mais bonitos da região de Ubud. Aqui realizam-se espetáculos de dança kecak, a par do templo de Uluwatu, sendo que no exterior não faltam locais a tentar vender bilhetes para o espetáculo.

Corredor central do templo.

É facilmente acessível a partir do centro de Ubud e o corredor central da entrada do templo divide um lago artificial repleto de nenúfares, flores de lótus e carpas. A entrada no recinto principal está restrita aos locais em dias de cerimónia, porém, é possível visitar esta área dos nenúfares de forma completamente gratuita.

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